Saúde 08/06/2017

Sinttel participa de palestra sobre organização do trabalho promovida pela Fundacentro

A Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho – Fundacentro realizou ontem (07 de junho), uma palestra sobre Organização do Trabalho e Saúde Psíquica.   A apresentação foi ministrada pela médica Maria Engrácia Chaves e foi transmitida através de videoconferência para as redes sociais da fundação.

Em sua abordagem, a pesquisadora ressaltou a importância de um ambiente laboral saudável para os trabalhadores. “Como o passar do tempo, foram adicionados à força e ao modo de trabalho qualidades como autoestima e valorização do ser humano. O que antes era dispensado somente aos pobres, aos menos abastados, passou a ser enxergado como um importante fator de construção de subjetividades do ser humano”, disse.

          
A pesquisadora enfatizou que a estrutura hierárquica, o controle de pausas, as pressões, as metas e as relações interpessoais e intergrupais são os principais aspectos da organização do trabalho. “Através dos sentimentos que apresentamos sobre tais aspectos fortalecemos ou enfraquecemos a identidade e a saúde no ambiente laboral, já que o trabalho se tornou uma forma de reconhecimento de valor da pessoa e uma condição de desenvolvimento pessoal e profissional”, enfatizou.
Ao falar sobre os diferentes modos de produção laboral, Maria Engrácia abordou o período taylorista e toyotista de mecanização do trabalho e discursou sobre os novos modelos, que passam pela flexibilização dos contratos e dos direitos, dos aspectos temporais polivalência e tipos de contratação, fazendo uma alusão ao modelo de reforma trabalhista que está sendo proposto pelo governo de Michel Temer.

O setor de call center foi tema das abordagens, principalmente quando se falou sobre as pressões para o atingimento de metas. “Sabemos que algumas empresas do setor exercem essas pressões que muitas vezes perpassam por práticas de assédio moral, como uma política de funcionamento e geração de lucros. Essa pressão exacerbada resulta no atingimento das metas, mas também no adoecimento de muitos funcionários e talvez de toda equipe”, ressaltou uma participante.

Como recomendação para os trabalhadores que sofrem de assédio, Maria Engrácia indicou a proteção, o falar e o documentar. “É necessário seguir esses três passos”, ressaltou.

Para Sandra Dias, dirigente do departamento de saúde do dirigente do Sinttel, os trabalhadores que se sentirem assediados devem procurar o Sindicato. “o Sinttel dispõe de um departamento médico e um jurídico atuante que pode auxiliar os trabalhadores, tanto no processo de identificação do assédio e dos cuidados psíquicos em relação a ele, quanto no aspecto jurídico”.

* Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1982), com Residência em Medicina Social - UFBA/SESAB/INAMPS (1984) - e Mestrado em Saúde Comunitária pela Universidade Federal da Bahia (1989). Trabalha na FUNDACENTRO há 32 anos, desenvolvendo atividades educativas e de pesquisa em Saúde do Trabalhador, especialmente na área de Trabalho e Saúde Psíquica e Organização do Trabalho, Lesões por Esforços Repetitivos e Sofrimento Psíquico. Paralelamente, fez formação em Psicanálise por 20 anos (1993-2012). Sua área de concentração do Mestrado foi Epidemiologia. Desde 2014, é doutoranda de Saúde Pública, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia. Participa do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto, com pesquisa que enfoca as relações entre Gênero, Aposentadoria e sintomas depressivos em participantes do ELSA-Brasil..

Sindicalize-se + Mais

Charges + Mais