Gênero 19/10/2017

Online e gratuita, Bibliopreta reúne produção acadêmica de feministas negras

 

 

 

Audre Lorde, bell hoolks e Angela Davis são alguns nomes do feminismo negro que, apesar da sua dimensão, são pouco traduzidas no Brasil: apenas um livro hooks foi publicado no país – Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade (Martins Fontes, 2013) – e dois livros de Angela Davis, que começou a ser publicada pela Boitempo no final de 2016. Partindo dessa lacuna, as pesquisadoras Sueli Feliziani e Isabela Sena criaram o projeto Bibliopreta, uma plataforma online gratuita que agrega produção acadêmica sobre feminismo negro.

Por Paulo Henrique Pompermaier, da Revista Cult 

Fonte: Geledés

São traduções, artigos, resenhas, dissertações, vídeos e cursos produzidos e coletados pela dupla, e que têm como tema central a interseccionalidade – uma forma de pensar a relação entre gênero, raça e classe na construção das opressões. Entre as traduções estão textos de Davis, hooks e Lorde, além de poemas de Florencer Harper e contos de Alice Walker. As teses, por sua vez, recuperam importantes pensadoras negras brasileiras como Lélia Gonzalez, Thereza Santos e Sueli Carneiro.

Feliziani e Sena começaram a reunir esse material em 2012, quando formaram um grupo no Facebook para compartilhar material sobre feminismo negro interseccional. Começaram, então, a perceber como aquela bibliografia era escassa no Brasil, e decidiram construir o site para auxiliar principalmente estudantes, alunos cotistas, mães solteiras e mulheres negras.

“Como aquele material era incomum, éramos sempre procuradas para fornecer bibliografia e referências sobre feminismo negro, racismo, antropologia e negritude, principalmente por pessoas brancas. E a gente brincava que éramos uma espécie de Wikipreta da militância feminista”, conta Sueli Feliziani .

Para bancar a tradução de novos textos e ampliar o site, as pesquisadoras lançaram uma campanha de financiamento coletivo com o objetivo de arrecadar quatro mil reais – conseguiram pouco mais de R$ 1.200 até agora. “Acreditamos que nossos estudantes precisam disso urgentemente para superar um déficit no ensino público”, afirma Sueli Feliziani. “Mais do que isso, achamos que na era da informação, coletivos dispostos a filtrar a informação em qualidade e relevância são uma ferramenta indispensável.”

Os textos também abordam o direito às artes, as narrativas fundadoras das ondas do feminismo e as principais correntes da filosofia moderna, das ciências sociais e da antropologia. “[A Bibliopreta] permite que a comunidade negra se articule de forma organizada e solidária para produzir conhecimento fora de um eixo totalmente eurocêntrico e voltado apenas para uma forma de ver o mundo”, afirma Feliziani. A campanha de financiamento coletivo vai até o dia 20 de novembro.

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